Pensando em mudar sua composição corporal? Pense em tomar chá verde

01 Jun 2011

O chá verde é produzido a partir de um processo químico de oxidação (incorretamente chamado de fermentação) das folhas de uma planta chamada Camelia sinensis e tem sido amplamente discutido pela mídia devido as suas propriedades benéficas.

Cientificamente, muitas pesquisas já relataram efeitos benefícios, já que o chá verde é rico em catequina e epicatequina, que são flavonóides com potente capacidade antioxidante e antiinflamatória. Por isso, trabalhos mostram que o consumo regular de chá verde oferece diversos efeitos protetores ao organismo, devido a redução do processo inflamatório de uma maneira geral, auxiliando na prevenção do desenvolvimento de doenças crônicas como o câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, além de poder auxiliar na perda de peso (devido ao seu efeito termogênico comprovado), quando associado a outras mudanças na alimentação e hábitos de vida.

Pelos efeitos antioxidantes e antiinflamatórios, o chá verde e seu extrato seco tem papel importante na dieta do esportista e do atleta, já que o estresse oxidativo pode aumentar a incidência de lesões, alterar sistema imune e reduzir o desempenho. Além disso, estudos recentes tem demonstrado que a ingestão aguda e regular de alimentos ricos em polifenóis pode beneficiar o sistema antioxidante desse público, e atenuar os danos oxidativos promovidos pelo exercício.

Os flavonóides do chá verde e a cafeína podem afetar positivamente o metabolismo energético e de gorduras através de diversos mecanismos. A hipótese predominante em que as catequinas do chá verde afeta a composição corporal é sua influencia no sistema nervoso central, aumentando o gasto energético e promovendo a queima de gordura. A cafeína, naturalmente presente no chá verde, também influencia o gasto energético e a oxidação de gordura. Outro mecanismo é que os flavonóides do chá verde, e dos vários de seus polifenóis, podem inibir a COMT, catecol-O-metiltransferase, uma enzima responsável pela degradação da norepinefrina, um neurotransmissor envolvido no aumento da termogênese e na oxidação de gorduras. Com a inibição dessa enzima, ocorre um prolongamento da atuação da norepinefrina e um subseqüente aumento dos seus efeitos sobre o gasto energético e a oxidação de gorduras. Outros flavonóides presentes, como quercetina e miricetina, podem participar dos efeitos metabólicos exercidos pelo chá verde.

Um estudo de 1999 relatou o efeito do extrato de chá verde aumentou o gasto energético de 24 horas e a oxidação de gordura em jovens saudáveis. Como uma dose equivalente de cafeína não provocou o mesmo efeito, os autores sugeriram que os polifenóis característicos do chá verde poderiam ser responsáveis pelo efeito.

Em um estudo duplo cego com duração de 12 semanas, homens japoneses saudáveis com peso corporal normal ou com sobrepeso consumiram uma garrafa (340 ml) de chá oolong com 690 mg de catequinas provenientes do extrato de chá verde. Em comparação ao placebo, que consumiu apenas 22 mg de catequinas provenientes do extrato de chá verde, o grupo experimental teve diminuição da circunferência abdominal, diminuição das dobras cutâneas e diminuição da gordura corporal subcutânea e total, além da redução da LDL-oxidada, reduzindo o risco de obesidade e de fatores de risco para aterosclerose.

Mesmo ainda não havendo um consenso na literatura sobre recomendações de doses e melhor forma de suplementação desse fitoterápico (sim, o chá verde pode ser usado em forma de extrato seco, indicado por seu Nutricionista), a redução do tecido adiposo pelo uso do chá verde é comprovada em diversos estudos.

O controle da resistência a insulina e inflamação, observadas também pela utilização desse fitoterápico, pode ser uma opção em potencial para controlar alguns parâmetros da síndrome metabólica.

O chá verde pode sim ser um grande aliado à dieta, inclusive aos esportistas e atletas. Porém, abusar do chá verde pode levar à perda de ferro e de outros nutrientes, pela interação dos polifenóis com alguns nutrientes da dieta. E claro, pessoas com tendência a dores de estômago ou que façam tratamento para gastrite, devem ficar atentas!

Consulte sempre seu Nutricionista.

Referências:

Dullo, A.G. et al. Efficacy of a Green Tea Extract Rich in Catechin Polyphenols and Caffeine in Increasing 24-h Energy Expenditure and Fat Oxidation in Humans. Am J Clin Nutr, 70: 1040-5, 1999.

Rains, T.M., Agarwal, S.; Maki, K.C. Antiobesity effects of green tea catechins: a mechanistic review. J Nutr Biochem. 2011 Jan; 22(1):1-7. Epub 2010 Nov 5.

PANZA, V.S.P. Efeito do consume de chá verde no estresse oxidativo em praticantes de exercício resistido. Florianópolis: UFSC, 2007. 131p. Dissertação (Mestrado) – Programa Pós Graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina, 2007.

NAGAO, T. et al. Ingestion of a tea rich iin catechins leads to a reduction in body fat and malondialdehyde modified LDL in men. Am J Clin Nutr; 81 (1):122-9, 2005.

NAVES, Andréia. Nutrição Clinica Funcional: Obesidade. São Paulo: Valeria Paschoal Editora Ltda., 2009 (Coleção Nutrição Clinica Funcional).

NAVES, Andréia. Nutrição Clinica Funcional: Modulação Hormonal. São Paulo: Valeria Paschoal Editora Ltda., 2010 (Coleção Nutrição Clinica Funcional).

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